segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Vida e Arte (de Alma Welt)

Creio que uma vida é bem vivida
Quando deixa rastros indeléveis,
Não aqueles tímidos e débeis
Que mal fazem crer que foram vida.

Uma carta intensa e apaixonada
Já é esforço e marca suficiente,
Ou um cartão na arca da mansarda
Que achado comova algum parente...

Um quadro, um livro, é o que proponho,
Um soneto, se possível mil sonetos
E a surpresa final de alguns tercetos.

Nunca como “a pena de existir”,
Vida, vida e arte, como um sonho,
E o agora de um fantástico porvir!


12/01/2007


Vida y Arte (de Alma Welt)
(Versión al castellano de Lucia Welt)


Yo creo que una vida es bien vivida
Cuando deja rastros indelebles,
No aquellos tímidos e débiles
Que mal hacen creer que fueran vida.

Una carta en ton apasionado
Es ya esfuerzo y marca suficiente,
O billete en el abuhardillado
Que todavía emocione algún pariente.

Una tela, un libro, irse más hondo
Un soneto, si es posible, mil sonetos
Y la sorpresa al final de unos tercetos.

Jamás como “la pena de existir”,
Vida, vida y arte, un cante jondo
Y el “ahora” de un bello porvenir!

14/09/2009



Nota

Encontrei agora há pouco este soneto que é bem uma "profissão de fé" típica da Alma. A Poetisa acreditava na absoluta nescessidade de criar para estar viva, como expresso naquele prólogo famoso de Fernando Pessoa à suas Obras Completas, na frase dos antigos navegadores portugueses: "Navegar é preciso, viver não é preciso", que o Poeta parafraseou em "Criar é preciso, viver não é preciso." (Lucia Welt)

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