sábado, 31 de outubro de 2009

Finitude (de Alma Welt)

Estar-se consciente é a tragédia,
Do ser-e-estar-aí diante da morte
Se pra essa lucidez além da média,
Não temos sequer um bom suporte.

A finitude de tudo é tolerável
Quando vista por nós na natureza
Pois a transformação é inefável
E produz as estações e sua grandeza.

Assim como água sobe e pura cai,
Nada se cria, também se perde nada,
Ao pó voltamos com ou sem um “ai”.

Mas suspeito que o ego e seu mistério,
Completa imagem na vida conquistada,
Antes se perde no que jaz no necrotério...


Finitud (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)


Estarse conciente es la tragedia
De ser y estarse ante la muerte
Si eso entre nosotros, raro en media,
No lograr darnos así ningún suporte.

La finitud de todo es soportable
Cuando avistada en la Natura,
Pues la transformación es inefable
Y produce fruta verde y la madura.

Así como agua sube y pura cae
Nada se cría, tampoco no es nada,
Al polvo torna el cuerpo y se desvaye.

Pero sospecho que el Ego y su misterio
Completa imagen en vida conquistada
Se perderá en un otro cementerio…

A nascente ( de Alma Welt)

Meu despertar diário em Poesia
É um riacho claro que pressinto,
E como tal, em vislumbre todavia,
Ao localizá-lo o não desminto

Se o soneto matinal nasce melhor
À mesa do café ou chimarrão
Com as lindas crianças ao redor
E o toque furtivo em minha mão

De Rodo, meu irmão, que escolheria
O pôquer, pra minar nosso passado,
Eis aí outro mistério ou ironia...

Pois constato que a nascente tão sutil
E de equilíbrio ambiental tão delicado
Começa por um cristalino fio...

(sem data)

El Naciente (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)

Mi despertar diario en poesía
Es un riachuelo que presiento
Y con un vislumbre todavía,
Que al localizarlo no desmiento

Que el soneto así nace mejor,
En el café en la mesa matinal,
Con chiquillería en derredor
Y en mi mano el toque digital

De Rodo, mi hermano, que escogía
El póquer por minar nuestro pasado,
Y que es otro misterio o ironía…

Pues creo que el naciente que destilo
Y de equilibrio ambiental tan delicado
Empieza siempre con un cristalino hilo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O Labirinto de Dioniso (de Alma Welt)

É possível um ser o outro conhecer?
Poderemos penetrar num coração?
A pobre alma trancada num porão
Realmente quer fugir ou transcender?

Estaria o grego antigo enganado:
Como Ícaro de mal coladas penas,
No corpo de um Titã, encarcerado,
Dioniso mal tem asas de falenas...

E medroso, submisso, acovardado
Quisera ali ficar eternamente
Pois teme o que haverá do outro lado,

Já que o teto azul, solar, do labirinto
(não se trata de um porão, eu bem o sinto)
É consolo e ledo engano suficiente...

(21/08/2005)

El Laberinto de Dioniso (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)

Es posible un ser el otro conocer ?
Podremos penetrarle el corazón ?
En la bodega aquí del caserón
El alma quiere huir o trascender?

El griego antiguo está engañado:
Como Ícaro de plumas y de penas,
En el cuerpo de un Titán, encarcelado,
Dioniso solo hay alas de falenas…

Y miedoso, sumiso, acobardado
Quisiera aquí quedarse eternamente
Pues teme lo que habrá de otro lado

Y el techo azul, solar, del laberinto
(no se trata de bodega, yo lo siento)
Es consuelo y ledo engaño suficiente.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Pacto (de Alma Welt)

A vida, meu amigo, não perdoa
O menor engano, erro ou deslize
E cobrará de modo que te doa
Seja aqui, em Paris ou em Belize.

Não poderás fugir pra Patagônia
Se na hora mesma da conquista
Trocares uma rosa por begônia,
E essa não for a flor bem quista.

E se pela atração de suas peles
Casares com um ser incompatível,
Acordo que nem sabes quando seles

E que o Tempo cobrará, embora lento,
Verás que os orgasmos de um momento
Se tornaram essa tua vida horrível...

(sem data)


Nota
Acabo de encontrar este enigmático e belo soneto na Arca da Alma, e me pergunto a quem ela se dirigia... Trata-se de uma alusão à coisas acontecidas com um amigo? Ou, mais genericamente, uma alegoria da própria implacabilidade do destino humano, feita de cobrança e ironia.... (Lucia Welt)
Imediatamente o verti para o castelhano:


El Acuerdo (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)


La vida, mi amigo, no perdona
Un engaño, errores o desliz,
Y ha de cobrar en tu persona,
Sea aquí, en Belize o en Paris.

No podrás huir a Patagonia
Si en la hora misma de conquista
Cambiares una rosa por begonia
O otra flor que esté fuera de su lista.

Y si la atracción mutua de sus lutos
Te hace casar con un ser incompatible,
Acuerdo que no puedes cambiar

Y que el Tiempo, lento, ha de cobrar,
Verás que un orgasmo de minutos
Se ha tornado esa tu vida, tan horrible…

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Eterno Retorno (de Alma Welt)

Não digo adeus às coisas tão amadas
Que me acompanharam nesta vida,
Como o canto das aves nas ramadas
Ou as cores que me põem embevecida

Dos poentes que me fazem ver o além
E descortinam a glória que teremos,
Quando não diremos mais “amém”,
Mas seremos já o que nós vemos,

Integrados no Mundo e no Devir,
Sóis, espaço-tempo, eternidade,
Ou só um cometa em sua saudade

Na viagem solitária, extrema em si,
Durante a longa jornada a se esvair,
Para voltar ao lar, que é mesmo aqui...

08/01/2007

El Eterno Retorno (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)


No digo adiós a las cosas tan amadas
Que me acompañaran en esta vida,
De las aves el canto en las ramadas
O los colores que yo veo embebecida

De los ponientes que más allá nos ponen
Y la gloria hacen ver y lo que habemos
Cuando ya no decimos aquel amén
Pero somos entonces lo que vemos

Integrados en el Mundo y el Porvenir,
Soles, espacio-tiempo, muerte fría
O tan solo un cometa en nostalgia

En el viaje solitario, extremo en sí,
Durante la jornada a desvaír
Para tornar al lar, que es mismo aquí…

sábado, 17 de outubro de 2009

Stradivarius (de Alma Welt)

Conquanto nascida pra escrever,
Sei que não serei bem compreendida
Pois sonetos somente pra entreter
Não terá sido meu propósito de vida.

Mas subir bem alto em pensamento
E entregar-me à ardência da paixão
Por tudo o que é vivo em andamento,
Sabendo que voltamos para o chão

Como semente de um sonho usufruído
Lançando fundas raízes na memória
E lutando contra as trevas e o olvido,

Eis a meta, meu escopo, meu destino,
Mais do que um soprano, um violino,
Stradivarius de mim, e minha glória...


14/01/2007


Stradivarius (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)


Con cuanto yo he nacida para escribir
Yo sé que no seré bien comprendida
Pues que sonetos solo a exhibir
No ha sido mi propósito en la vida.

Pero subir bien alto en pensamiento,
Entregarme a la pasión que me disuelve
Por todo lo que es vivo en andamiento
Sabedora de que todo al polvo vuelve,

Como simiente de un sueño conmovido,
Hondas raíces lanzando en la memoria,
Luchando en las tinieblas y el olvido,

Esta es mi meta objetiva, mi destino,
Más que un soprano, un violín muy fino,
Stradivarius de mi misma y de mi gloria.

O tempo e o vento ( de Alma Welt para Érico Veríssimo, in memoriam)

(para Érico Veríssimo, in memoriam)

Para expressar o pampa, a minha terra,
Raízes fundas lancei de umbu-pampeiro,
Aquele grande da colina, sobranceiro,
(que nada mais me ceifa ou me desterra)...

Eu e a terra temos laços, somos um
E a planura se reflete em minha mirada
A buscar no horizonte como um zoom
A razão de ser poeta e... desvairada.

Mas tudo que me cerca está lançado
Num livro de registros imanente
De sonetos como flores do meu prado.

E se chegar um tempo sem memória,
Estarei plana e vasta em minha mente,
E o minuano há de contar a minha estória...


Nota
Acabo de encontrar este soneto na Arca da Alma, e maravilhada com essa bela homenagem ao grande Érico, imediatamente verti-o (ou transliterei-o) para o castelhano:


El Tempo y el Viento
(de Alma Welt para Érico Veríssimo, in memoriam)
(versión en castellano de Lucia Welt)


Para cantar la Pampa, que es mi hado,
Raíces hondas yo lancé, de umbu-pampero,
Aquél grande en la colina, elevado,
(que nada ha de segarme por entero)...

La tierra y yo tenemos lazos, somos un,
Y la llanura se refleja en mi mirada
A buscar el horizonte como un zoon
Y la razón de ser poeta y desvariada.

Pero todo a cercarme está lanzado
En un libro de registros inmanente
De sonetos como flores de mi prado.

Y cuando llegue un tiempo sin memoria,
Sin embargo amplia y llana en mi mente,
El viento ha de narrar mi propia historia.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A Usurpadora (de Alma Welt)

Após a queda, retorno ao casarão,
Que andara pelo mundo, peregrina
Em busca de algo numa esquina
Que mesmo aqui estava, neste chão.

De meu feudo a Morte me expulsara,
Não me queria aqui sem o meu Vati.
De Infanta destronada se livrara,
Que me tornara amarga como o mate...

A Usurpadora lágrimas não quer,
Um pé lá, outro na vida qual anfíbia,
Mas na macabra orgia é só mulher,

Devassa, sinistra e falsa amável,
A vi tocar um violino numa tíbia
Na sala do defunto inigualável...


10/06/2005


La Usurpadora (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)


Aunque caída yo retorno al caserón,
Yo que anduve por el mundo, peregrina
En busca de algo en una esquina,
Sin embargo estaba aquí su apelación.

De mi feudo la muerte me expulsara,
No me quería ella y sí mi Vati.
De la infanta destronada se librara,
Que me tornara amarga como el mate.

La Usurpadora no quiere llanto ver,
Un pie allá, otro en la vida, como anfíbia,
En la macabra fiesta es solo una mujer,

Libertina, siniestra y falsa amable.
Y yo escuché su violín en una tibia
En la sala del difunto inigualable.

O Sangue do Poeta ( original de Alma Welt)

Quando guria um tonel eu vi jorrar
O vinho pela relva em catadupas
Quando um peão com outras culpas,
Com o machado rachou-o a gritar:

“Eis de volta o sangue desta terra!
E logo, igualmente, o meu, verão.
Mas antes verterei de um que aberra
E não merece o amargo que lhe dão!”

E naquela tarde houve o embate
Na sinistra Colina do Enforcado
Mais regada de sangue que de mate.

E eu, que tudo em volta absorvia,
Jurei jorrar por conta do meu fado,
Meu sangue pela vida e a Poesia...



La sangre del Poeta (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)


Yo era niña y he visto chorrear
El vino por la hierba en borbollón
De un tonel por el hacha de un peón
Que lo rajó así, siempre a gritar:

“ He aquí la sangre de la tierra!
Y luego el de mi mismo, lo verán!
Pero verteré de uno que aberra
Y no merece el amargo* que le dan!”

Por la tarde ha ocurrido el embate
En la sinistra Colina del Ahorcado
Más regada de la sangre que del mate.

Y yo que todo en cerca absorbía
Juré verter por cuenta de mi hado
Mi sangre por la vida y la Poesía…


Nota
* amargo- el mate (sorbido en una calabaza,
el "chimarrão") referido así por los peones de la Pampa.

sábado, 10 de outubro de 2009

O Vale (de Alma Welt)

Já se vão os irradiantes dias
E eu devo me render às evidências
De um futuro talvez de penitências
Pelos dias de cigarra e alegrias.

Tanto, tanto que a Mutti nos dizia
Que de lágrimas o vale é mesmo aqui,
E que ela própria nunca se iludia
Pois o pranto é o prêmio de quem ri!

Ela, o Vati e os genros já não estão,
E Solange que via como escolhos
Cada riso e brilho nos meus olhos...

E as velas da Matilde e sua homilia
Que faziam tanto rir ao meu irmão,
Enquanto a casa, sem mobília, se esvaía...



29/12/2006


El Valle (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)

Ya se van los radiantes bellos días
Y yo tengo de rendirme a evidencias
De un futuro quizá de penitencias
Por los tiempos de cigarra y alegrías.

Nuestra madre a nosotros prevenía:
De lágrimas, valle no hay que no se crie
Y que ella misma jamás se iludía
Pues el llanto es el premio de quien rie.

Se fueran ella y los yernos de este llano
Y Solange que miraba como abrojos
La risa siempre y el brillo de mis ojos

Y las velas de Matilde y su homilía
Que hacia reírse nuestro hermano,
Aunque, sin muebles, ya la casa desvaía…

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Espelhos (de Alma Welt)

Como branca nau entre as ervinhas,
Singrando leve na campina, e sem mastro,
Eu penso em ti, ó bela Inês de Castro
E “no nome que no peito escrito tinhas.”

Bah! Quisera eu ser somente em mim,
E nenhuma imagem santa carregar
Para minha própria imagem respaldar,
Ser eu mesma e só, esta Alma, assim.

Porém, se colho a flor ao meu alcance
Outra imagem, a de Florbela, tão amada,
Me joga noutro tempo, noutro lance.

E eu perambulo viva entre os séculos
Fazendo do Tempo minha morada,
Neste jogo de almas e de espéculos...

(sem data)


Espejos (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)


Como blanca nave entre las hierbas,
Singlando leve, sin verga y sin lastro,
Yo pienso en ti, oh bella Inês de Castro.
Y el nombre que en el pecho escrito llevas.

Ah! quisiera ser mi misma, toda en mí,
Y ninguna imagen santa respaldar,
Para ver mi propia aura irradiar,
Ser yo misma y sola, esta Alma, así.

Sin embargo la flor cojo a mi alcance,
Y la imagen de Florbela, tan amada,
Me lanza en otro tiempo, en otro lance.


Y yo vagueo entre flores y tubérculos
Haciendo del Tiempo mi morada
En este juego de almas y de espéculos.

Antípodas (de Alma Welt)

Antípodas (de Alma Welt)

Para ser a Alma mesma que me cabe
Devo cantar somente ou versejar
Acordar em ser e êxtase de amar
Para viver como se nada nunca acabe.

Todavia aquele espectro soturno
Teima em me seguir e acompanhar
Mesmo quando é dia e não seu turno,
Que é da noite seu tempo e seu lugar.

Mas eu sei que os polos se entrelaçam
E para um deles ser, o outro oponho,
Que sozinhos ambos doem e ameaçam.

E o mistério de viver nisto consiste:
Estar no mundo e saber que tudo é sonho,
O mundo é belo, e de verdade... nem existe.



Antípodas (de Alma Welt)
(versión en castellano de Lucia Welt)


Para ser Alma, yo misma, que me cabe,
Debo cantar solamente, y versear,
Acordarme en ser y éxtasis de amar
Para vivir como jamás nada se acabe.

Todavía aquél espectro soturno
Insiste en seguirme y acompañar
Aunque sea día y no su turno,
Que la noche es de facto su lugar.

Pero yo sé que los polos se entrelazan
Y para uno ser el otro opongo
Pues que hacen dolor y amenazan.

Pero el misterio en esto acá consiste:
Si en el mundo mi propio sueño pongo,
Sé que es bello, sin embargo ni existe.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Amor e Arte (de Alma Welt)


Alma - desenho a pincel de Guilherme de Faria

Amor e Arte (de Alma Welt)


Muitos são os nomes do divino
Mas por certo o Amor é o primeiro,
Com a Arte, sua face e violino,
O poético real e verdadeiro.

Passar por esta vida como um canto,
Um poema, um quadro, ou um desenho
Que tenham do amor o mesmo encanto
E se queira buscar com o mesmo empenho,

Milenar nota do artista, distintiva,
Que há de pagar por ela um alto preço,
É dom que traz de Deus a marca viva.

Então a alma canta, os traços vibram
A palavra recobra o seu apreço,
E pronto: vida e morte se equilibram.

(sem data)

Amor y Arte (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt)

Del divino los nombres muchos son,
Todavía el Amor es el primero
Con el arte, un violín de bello ton,
El poético real y verdadero.

Pasar por la vida como un canto
Un poema, un dibujo, un trazo ileso
Que tengan del amor el mismo encanto
Y se quiera rastrear como un sabueso

Es marca antigua del artista, distintiva,
Por la cual él paga un alto precio,
Es don que trae de Dios la nota viva.

Entonces canta el alma y los trazos,
La palabra recupera su aprecio,
Y de pronto vida y muerte dan abrazos.

Abramos las Ventanas (de Alma Welt0

Abramos as janelas (de Alma Welt)

Abramos as janelas, meu irmão!
A vida esta penumbra não requer.
Os mortos receberam sua porção
Do respeito e pranto que se quer.

Nosso pai era alegre, bonachão
E não um melancólico qualquer.
Nossa mãe era o poder como mulher,
Agora esse poder está no chão.

Nossa índole é clara, luminosa,
Não fomos feitos para o pranto
Nem culpas, e muito menos, glosa.

A verdade estava ali naquele prado:
A terra os cobria com o seu manto
E eu sentia tuas carícias, disfarçado...

(sem data)


Nota
Acabo de encontrar este soneto na Arca da Alma, e imediatamente o verti para o idioma castelhano:


Abramos las ventanas (de Alma Welt)

Abramos las ventanas, mi hermano!
La vida no requiere esa penumbra.
Los muertos agitaran ya su mano
Y ahora están bien bajo la tundra.

Nuestro padre era alegre, bonachón,
Y no un melancólico cualquiera.
Nuestra madre, lo sabes, una fiera,
Pero ahora él ya no acepta su tacón.

Nuestra índole es clara, luminosa
No hemos sido hechos para el llanto
Ni culpas ni tampoco simple glosa.

La verdad estaba allí en nuestro prado:
La tierra los cubría con su manto
Y yo sentía tus caricias, disfrazado…