quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Sons da noite (de Alma Welt)

As paredes vetustas desta casa
Trazem-me os sons de outra era
Como um ruflar de negra asa,
Cheios de dor que reverbera.

Distingo nas noites os gemidos
Das filhas do pobre Valentim,
Os gritos da viúva, os latidos
E logo o uivo de um fiel mastim

Ali, ao pé do corpo que pendia
Da trave do telhado, assim, no sótão
Onde depois o belo Rôdo dormiria

Impávido e inocente o meu irmão,
A embalar seu sono a algaravia
E o sussurrar de um proibido coração.


11/12/2005

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Sonidos de la noche (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt)

Las paredes viejas de esta casa
Me traen los sonidos de otra era
Cual ala negra o un tonel que vaza,
Llenos del dolor que reverbera.

Distingo en la noche los gemidos
De las hijas del pobre Valentim,
La grita de su viuda, los ladridos
Y el aullido triste del fiel mastín

Allá, al pie del cuerpo que pendía
De la viga en el sótano sufrido
Donde el bello Rodo dormiría,

Hermano inocente y confundido,
Su sueño a acunar la algarabía
De otro corazón tan prohibido.

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Nota
Mais un soneto em que Alma insere menção à sua relação com nosso irmão Rodo. Entretanto pareceu-me detectar aqui, pela primeira vez, uma nota de consciência (não de culpa) da proibição dessa relação.(Lucia Welt)

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