terça-feira, 9 de setembro de 2008

Mea culpa (de Alma Welt)

Estar com meus irmãos e as crianças
É para mim o paraíso nesta terra,
Pois com eles alimento as esperanças
De afugentar de mim o que aberra...

Sim! minhas idiossincrasias,
E ânsias que ora chamo de ilegítimas
Pois faziam sofrer outras gurias,
Minhas irmãs, talvez um tanto vítimas.

Percebo que a ardência de minh’alma
Lhes foi e ainda é bem dolorosa
Por tirar-lhes as certezas e a calma.

Ah! Irmãs de quem tornei-me a agonia,
Mais quisera ser um ser de pura prosa
E menos o vulcão desta poesia!

28/11/2005


Nota

Emocionou-me encontrar este soneto perdido na montanha de inéditos da arca da Alma. Vieram à minha mémória 35 anos de convivência e amor pela doce Alma, que aqui se trata tão duramente. Sim, sofríamos por ela, mas de tanto amor, de tanta admiração impotente pelos seus sofrimentos de guria hiper-sensível. Sua intensidade tirava-nos o fôlego, pois a beleza de tudo que vinha dela era como conviver permanentemente com uma obra de arte viva, genial, surpreendente, comovedora... Ai! minha irmã, tua doçura tudo justificava, teu amor a tudo e a todos... a tua beleza de corpo e alma! Jamais houve um ser como tu!...
(Lucia Welt)



Mea culpa (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt)

Estar con mis hermanos y los niños
Es para mí el paraíso en esta tierra,
Pues con ellos alimento los cariños
Que ahuyentan de mi lo que aberra

Me referí a idiosincrasias y manías
Y ansias que ahora llamo ilegítimas
Pues las hacían sufrir, hermanas mías,
Persuadida estoy de que eran víctimas.

Percibo que la urgencia de esta Alma
Les ha sido y todavía es dolorosa
Por sacarles las certezas y la calma.

Ah! hermanas mías de agonía,
Bien más quisiera ser un ser de prosa
Y menos el volcán de esta poesía!

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