(20)
"Somos para a Morte", disse alguém,
E desde então eu me pus a meditar,
Coisa inusitada para quem
Todas as dádivas vieram se somar.
A beleza é vã, efêmera, fugaz,
Diz Matilde, o que a Mutti já dizia,
E eu desconfio que apesar de pertinaz,
Tal pensamento deriva da apatia.
Ah! Odisseu, meu grego predileto,
Que disseste (e por isso foste honrado)
O quê é o homem? Cabal, doido completo
Que se acaba com um simples resfriado
E que no entanto, aqui como em Elêusis,
É capaz de afrontar os próprios deuses!
09/07/2006
Odisseu (de Alma Welt)
(versión al castellano por Lucia Welt)
A la muerte somos, uno ha dicho bien
Y desde luego me puso a meditar,
Cosa muy inusitada para quien
Todas las dádivas vinieron acrecentar.
Matilde ha dicho y la Mutti ya decía,
"La belleza es vana, efímera, fugaz",
Y yo supongo, aunque pertinaz,
Tal pensamiento redunda en apatía.
Ah! Odisseu, mi griego favorito
Que dice (y por eso fue alabado),
Que es el hombre?! Cabal, loco bendito,
Que se acaba con un simple resfriado
Y todavía, acá como en Eleusis
Es capaz de afrontar sus propios dioses!
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(19)
A caravela (de Alma Welt)
Lanço no papel minha experiência
De ser o fulcro ou centro desta saga
Tão amada, vivaz, com tal ardência,
Como um druida, bardo ou velha maga.
Nada de queixumes ou lamento,
Mas afirmação total de vida
Que aos outros possa ser alento,
Inspiração vital e comovida.
Pois sei que a vida é mesmo bela
E o frágil ser humano, interessante
Como pode ser imenso e triunfante!
Eis porque vago pela face do papel
Como tardia, embevecida caravela
Fazendo deste espelho o próprio céu.
1401/2007
La carabela (de Alma Welt)
(versión al castellano por Lucia Welt)
Lanzo en el papel mi experiencia
De ser el centro mismo de esta saga
Tan amada, viva, y con vehemencia
Como un druida, bardo o vieja maga.
Nada de quejas, lloros o lamento,
Pero afirmación total de vida
Que a otros pueda ser aliento,
Inspiración vital y conmovida
Pues sé que la vida es mismo bella,
El fragil ser humano, interesante:
Sin embargo grande y triunfante.
Así navego en la net o papel viejo
Como tardía, orgullosa carabela
Haciendo acá mi cielo de este espejo.
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(18)
O eterno retorno (de Alma Welt)
Contarei e cantarei até o fim
Dos meus dias como vou ao meu irmão
Encontrá-lo alta noite no seu sótão
Para entregar-me a ele e ele a mim.
E como, tateando no escuro
Nos longos corredores, já ardente,
Eu me dispo no caminho, de repente
Naquele impulso claro e escuro
Que me leva assim a dar-me e dar-me
E exausta adormecer sobre seu ombro
Depois de tanto cavalgar a sua carne.
E como, adormecida, recomponho
A clara roda de ir ao seu encontro
Na obscura clareza do meu sonho.
(sem data)
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El eterno retorno (de Alma Welt)
(versión al castellano por Lucia Welt)
Cantaré y cantaré hasta el fin nuestro,
Como voy tan repetido al mío hermano,
Encontrarlo, alta noche, en su sótano
Para entregarme a ello, por supuesto.
Y como, palpando el aire oscuro
De los corredores onde, ardiente,
Me desnudo en el camino, de repente
En un raro impulso claro y puro
Que me lleva así a darme y darme
Y exhausta dormir con ello adentro
Después de cabalgar tanto su carne
Y como recompongo el diseño
De la rueda de irme al su encuentro
En la oscura claridad de nuestro sueño.
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(17)
A Fronteira e o Portal (de Alma Welt)
Saio de manhã com cuia e bomba
A vagar por minhas velhas trilhas
Até rondar o bosque em sua lomba
Que nasce no sopé destas coxilhas.
Ali penetro então chimarreando
Aquecida por dentro pelo amargo
Para ouvir a natureza despertando
E o meu alento bem mais largo.
E logo tomada de entusiasmo
Me ponho a correr por entre os troncos
E a girar no centro de um orgasmo
Até desfalecer numa clareira
Cercada por seres nada broncos,
Abertos o Portal e a Fronteira...
(sem data)
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La Frontera y el Portal (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt)
Salgo yo, la calabaza y su aroma
A vagar por mi querida senda vieja
Hasta rondar el bosque en su loma
Que nace en la falda de la sierra.
Allí entro todavía mateando
Calentada por el sabroso “amargo”,
A oír la Natura despertando
Y también mi aliento bien más largo.
Y luego dotada de entusiasmo
Me pongo a correr por entre troncos
Y a girar en el centro de un orgasmo
Hasta quedarme desnuda y irreal,
Pero cercada por seres nada broncos
Y abiertas la Frontera y el Portal.
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Nota
Acabo de encontrar este curioso soneto manuscrito entre os papéis da Alma na sua arca, e dei-me conta de que nunca foi publicado. Apressei-me em digitá-lo e colocá-lo no seu blog dos Sonetos de Mistérios da Alma. Mas logo percebi que se trata, na verdade, de um soneto erótico, embora simbólico e velado. Não preciso dizer o que são "o Portal" e "a Fronteira". Ri muito e mais saudades tive de minha extraordinária irmã, de sua intensidade vital e de seu humor. (Lucia Welt)
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(16)
Se me perguntarem... (de Alma Welt)
Se me perguntarem o que quero
Com tanto escrever, em catadupa
Soneto após soneto, eu reitero
Que isso me elimina toda a culpa.
Sim, a que se instala em nossa alma
Com o primeiro vagido após o tapa
E faz o ser humano ter um mapa
Do inferno gravado em sua palma.
Em sendas ocultas e entrelinhas
Eu vou, vago, vôo e deixo ir-me
Ignorando as coisas comezinhas.
Escrevendo recupero a inocência
E posso tudo, e na alma permitir-me
Ir muito além da dor e da demência.
15/12/2005
Nota
Ao encontrar há pouco este soneto, apertouse-me o coração, pois pela data percebi que fora escrito poucos dias antes da sua internação na Clínica em Dezembro de 2005, que tanta preocupação e dor nos causou, inclusive com sua fuga e percalços em caronas de caminhão pelas estradas do nosso Pampa. Este soneto testemunha a luta heróica da Alma para fugir "da dor e da demência" que rondavam a sua alma de poeta, de artista predestinada e de mulher muito bela, excepcionalmente pura e ardente.(Lucia Welt)
Se me preguntan (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt)
Me preguntan que quiero yo con eso
De tanto escribir, en catarata,
Soneto tras soneto, se este peso
No representa el fardo de una rata,
Yo digo que eso por contrario
Descarta la culpa que se instala
En nosotros con aquel golpe primario
Que ha de hacer la vida entera mala,
En senda, trilla y entrelínea
Yo me voy vagando o a volar
Ignorando las cuentas por pagar.
Escribiendo recupero la inocencia
Y todo puedo, en el alma curvilínea
Driblando el dolor y la demencia.
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(15)
Minha "Estrela de Absinto" (de Alma Welt)
Estrela minha, a mim mesma me revela!
Eu te invoco como outrora o Druida
Ou muito antes o rei da torre aquela
Etemenanki que em Babel foi destruída!
Vem ao meu encontro e me desvia
Do fatal caminho que pressinto,
Eu sei, estamos todos nessa via,
Na rota de uma estrela de Absinto,*
Mais sonhos, mais delírios, mais anseios,
Ainda não cumpri meus devaneios
E ainda faltam centenas de sonetos,
Cavalgadas, êxtases, amores,
Vagar por entre temas e motetos
A colher emoções como se flores!
19/12/2006
Nota
* Estrela de Absinto -Obra de Oswald de Andrade, 1927. A expressão se refere à uma estrela apocalíptica, para alguns místicos e esotéricos caracterizada como o planeta Vênus(estrela Dalva). Absinto: bebida muito consumida na Belle Époque parisiense, e que, com o ópio, custou a vida de muitos poetas e pintores. No Apocalípse de São João, Absinto é o nome de uma estrela da destruição que cai sobre as fontes de águas e os rios, no final dos tempos (um meteorito?).Entretanto, não está claro, no poema, em qual sentido Alma a está usando. (Lucia Welt)
Mi estrella de Absinto (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt)
Mi estrella, me reveles a mi misma!
Yo te invoco como otrora el druida,
O antes aquél rey de gran carisma
Aunque tuve su alta torre destruida!
Vien a mi encuentro y me desvía
Del fatal camino que presiento.
Estamos todos, yo lo sé, en esa vía,
De Absinto la estrella como aliento.
Quiero más sueños, delírios, nuevos temas,
Aunque no he cumplido mis proyectos
Y hagan falta todavía cien poemas,
Cabalgadas, éxtasis, amores,
A vagar por entre mis versos selectos
A coger emociones como flores!
Nota
* Estrella de Absinto -Obra de Oswald de Andrade, 1927, famoso romancista y poeta brasileño). La expresión se refere a una estrella apocalíptica, a algunos místicos y esotéricos caracterizada como el planeta Venus (en el Brasil, estrella Dalva). Absinto: bebida muy consumida en la "Belle Époque" parisiense, y que, con el opio, ha costado la vida a muchos poetas y pintores. En el Apocalipse de San Juan, Absinto es el nombre de una estrella de la destrución que cae sobre las fuentes de aguas y los rios, en el fin de los tiempos (un meteorito?). Sin embargo, no queda claro en el soneto en qual sentido está empleada la expressión.
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(14)
Não irei queixar-me ao rei dos pampas (de Alma Welt)
Não irei queixar-me ao rei dos pampas,
O Minuano que selou o meu destino...
Não rezarei ao pé daquelas campas
Nem ali tocarei meu violino.
Bah! Tanto me alertaram sobre aquilo
De escolher e abraçar a "vã Poesia"
Abandonando o caminho mais tranqüilo,
Do Lar, e ainda ficando "pra titia"!
Sobretudo não irei me prosternar
Diante da matéria ou de seus signos,
Que não tenho o afã de conservar...
Pois que há muito abri minhas eclusas,
Fiz juras e votos bem mais dignos
E jamais renegarei as minhas Musas!
(sem data)
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Al rey no iré quejarme (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt)
Al rey no iré quejarme, de la pampa,
El Minuano que me conduce al fin;
No oraré al pie de aquella campa
Ni tampoco tocaré mi violín.
¡Ah! Tanto he caminado sobre el hilo
Que en peligros me llevó a la Poesía,
Abandonando el camino más tranquilo,
Tía y soltera acá restando todavía!
Tampoco iré mi cuerpo prosternar
Delante la materia o sus signos,
Que no tengo el afán de conservar…
Pues que ha mucho he abierto mis esclusas,
Y haciendo juramentos bien más dignos
Jamás he renegado aquellas Musas.
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(13)
A névoa e a Alma (de Alma Welt)
Quando a névoa ainda não se alçou
E paira sobre a relva confundindo
Céu e terra como quando começou
O mundo e Deus ainda estava urdindo
A tessitura de seu reino endiabrado,
Depois cheio de tesouros e magia,
Eu sinto que pertenço a este prado
E nutro-me de sua nostalgia.
Mas logo em alegria me desnudo
Pois orvalhada já em minha roupa
Posso sentir-me parte disso tudo:
De Deus o puro caos primevo e vago
Quando tudo ainda era parte dessa sopa
Do grande caldeirão do Eterno Mago...
(sem data)
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Nota
Acabo de encontrar na montanha dos inéditos da Alma, em sua arca do sótão, este soneto encantador sobre o qual testemunhei as cirunstâncias de sua inspiração, pois acompanhei uma vez a Alma num de seus passeios matinais, bem cedinho, e a vi impulsivamente desnudar-se para sentir a névoa da alva da manhã em sua pele, no corpo todo, rodopiando de alegria em sua integração sentida nesse "caos úmido". Alma era uma criatura profundamente telúrica e nutria-se, como ela dizia, das forças da terra e do ar, como todos os seres, é verdade, mas com mais intensa consciência poética, se podemos dizer assim, do que a maioria de nós. (Lucia Welt)
La niebla y la Alma (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt0
Cuando la niebla aún no se ha alzado
A pararse de la hierba confundiendo
Cielo y tierra como cuando ha comenzado
El mundo y Dios se estaba urdiendo
La textura de su reino endiablado,
Después lleno de tesoros y magia,
Yo siento que hago parte de ese prado
Y me nutro de su enorme nostalgia.
Pero de pronto me pongo desnudada
Pues aunque orvallada en mi ropa
Quiero sentirme parte, o integrada,
De Dios el puro caos primero y vago
Cuando todo era parte de esa sopa
Del eterno calderón del Grande Mago.
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(12)
Da vida vivida (de Alma Welt)
Por amor, me desnudei a alma
No papel em versos escandidos,
Não me poupei em nada, dei a palma
A ler, como às ciganas os escolhidos.
Sim, por que nelas eu confio
Se vêem em nós o dedo do destino
Ou espada a pender daquele fio.
Mas ouvindo da Gitana o violino
Cantei, dancei, de mim me desnudei
E nos leitos dos amados supliquei
Que tocassem as fibras do meu ser.
E louca, penetrada e fruída
Fui verso e canção pra ouvir e ler
E nada deixei pra outra vida...
17/01/2006
Nota
Mais uma vez emocionadíssima, ao descobrir agora há pouco este soneto, me defrontei com um "testamento espiritual" da Alma, poderoso, de comovente grandeza.
Vou tentar vertê-lo para o castellano para publicar no site La Voz de La Palabra Escrita-Internacional. (Lucia Welt)
De la vida vivida (de Alma Welt)
(Versión al castellano de Lucia Welt)
Por amor me he desnudado el alma
En la página de verso encendido
Sin enbargo,siempre he dado la palma
Como a una gitana el escogido.
Si, porque fieles siempre han sido
Y en nosotros veen la oscura gana
O el sable que de un hilo está pendido.
Pero al oír el violín de la Gitana
He cantado, danzado y desnudado,
Y en los lechos de amados, he suplicado
Que tocasen las fibras de mi ser.
Pues loca, tocada o ceñida
He sido verso y canción de oír y leer
Y nada he dejado a otra vida.
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(11)
A Alma destas águas (de Alma Welt)
A trilha que leva à minha cascata,
A cantar percorro todo dia,
Descalça, pois retiro a alpargata
Para sentir do solo a energia.
E logo vou a blusa retirando
Ou o vestido inteiro, se é o caso,
Depois a calcinha, ali deixando
Na senda como rastro e ao acaso
As belas tramas um tanto obsoletas
Pois me dou à transparência destas águas
(que nunca me escondi em vãs anáguas).
Depois saio brilhando, nada feia...
E mais: para atrair as borboletas,
Crua me agacho a urinar na areia.
(sem data)
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Nota
Encantada, acabo de descobrir na arca da Alma este soneto lindo, ligeiramente erótico, que revela algo que eu mesma testemunhei algumas vezes: nua, molhada e brilhando, Alma urinava na areia da prainha da cascata, e logo ali se fazia uma revoada de borboletas que apreciavam o sal ou a amônia onde pousavam numerosas, sugando, para encanto de minha bela irmã, que eu ficava olhando, admirando, como uma ninfa que ela realmente era. (Lucia Welt)
Alma de estas aguas (de Alma Welt)
(Versión para el castellano de Lucia Welt)
En el camino que leva a mi cascada
A cantar me voy todos los días
Y luego me pongo desmontada
Para sentir del suelo la energía
Y desde luego la camisa allí sacando,
O el vestido entero, si es el caso,
Después las bragas voy dejando
En la senda como rastro y al acaso
De las vanas tramas aúnque hermosas
Pues en la transparencia de la escena,
Jamás he escondido aquellas rosas...
Y me salgo reluciendo, rica y plena
Y más: para atraer las mariposas
Me agacho a orinar sobre la arena.
(sin data)
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(10)
Dúbios domingos (de Alma Welt)
Tenho com os domingos dúbia liga
Pois embora ensolarados em essência
Me fazem ver do Tempo a vã carência
E a tal fugacidade, ó minha amiga.
A contagem domingueira se revela
Ultimamente regressiva e voraz
Embora eu seja jovem, viva e bela,
Já me vejo saudosa a olhar pra trás.
Eis que me sinto assim contemplativa,
Que nunca fui alguém que muito chore,
E me ponho a vagar como uma diva
A colher florzinhas como a Core
No seio claro desta natureza viva
Antes que o escuro solo me devore.
28/11/2006
Nota
Acabo de encontrar este belo e impressionante soneto da Alma, que faz ver a persistência de seu pressentimento da morte próxima. Vale aqui relembrar o mito de Core (a Perséfone dos gregos) filha de Ceres, a deusa das colheitas(a Deméter, dos gregos) que estando a colher flores na pradaria, subitamente o solo se abriu e ela foi agarrada pelo deus Hades, do escuro subsolo do mundo (o reino de Hades)onde passaria, por intercessão de Zeus, a pedido de sua suplicante e sofrida mãe, a viver por seis meses, sendo que os outros seis poderia passar com sua mãe sobre os campos. Esses ciclos se relacionavam com o tempo do plantio e o da colheita. (Lucia Welt)
Dudosos domingos (de Alma Welt)
(Versión para el castellhano de Lucia Welt)
Tengo con los domingos una liga
Por quanto solarados en esencia
Me hacen ver del Tiempo la carencia
Y la fugacidad, oh! mi amiga!
La cuenta dominguera se revela
Desde luego regressiva y voraz
Todavía soy jóven, viva y bella
Sin enbargo estoy mirando hacia atrás
Y me siento tan contemplativa,
Jamás ha sido así quien tanto llore...
Y me pongo a vagar como una diva
Que coje florecitas como Core
Nel seño de la Natura viva
Antes que el suelo me devore.
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(9)
Palavras à cigana (de Alma Welt)
Rafisa, lê depressa a minha palma
Mas não pares no meio da leitura.
Sempre o fazes como se uma ruptura
No fio do destino desta Alma.
Eu vejo como fechas minha mão
E o disfarças com um beijo ou sorriso.
Mas não conténs, cigana, o coração
E teu peito que ofega, em prejuízo
Do segredo do que é meu e tu me deves,
Pois se és vidente e quiromante
Honra a tua fama, a mal não leves,
Vai, revela tudo, não importa
Se a Morte for um hóspede galante
Que está prestes a bater na minha porta...
05/01/2007
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Nota
Descobri emocionada este soneto que mostra como Alma andava cheia de pressentimentos da morte próxima, mas não totalmente consciente, que é como o Destino brinca de se apresentar...
(Lucia Welt)
Palabras a la gitana (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt)
Rafisa, lea de pronto mi mano
No te detengas en medio a la lectura.
Siempre lo haces como una ruptura
En el hilo de mi destino humano.
Yo lo veo como miras con cuidado
Y a veces me confundes con un beso;
No te contienes el corazón alborotado
Y tu pecho que se pone teso
Si el secreto revelar no puedes,
Por seres vidente y quiromante
Honra tu fama, y dáme lo que debes,
Vá, revela todo, lea mi suerte.
Que la Muerte sea un huésped galante
Que todavía en mi puerta bate fuerte!
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(8)
O claro e o escuro da Alma (de Alma Welt)
Amanhã verei meu ser refeito
E envolto em aura, libertado,
Serei o ser que sou, o ser eleito
De mim mesma, aceso, iluminado.
Farol na noite eterna de esperança
Ou sol no dia claro sempiterno,
O timbre escolhi eu desde criança
Ao escolher o amor, o bom e o terno.
Mas, bah! se o Cerro esfria e escurece
E pelas faldas onduladas de coxilhas
Do Jarau o minuano escorre e desce,
Da alma o lado escuro me fascina
Ao perceber o quanto, sim, ele me anima,
Esse contraste que produz as maravilhas!
(sem data)
Nota
Com o seu poder de criar ou de realimentar mitos, Alma parece dizer que o minuano nasce no Cerro do Jarau (vide A Salamanca do Jarau, de João Simões Lopes Neto) e quando este escurece e esfria, escorre pelas encostas e corre pela pradaria, como um desbordamento do lado escuro do mundo. (Lucia Welt)
El claro y el oscuro del Alma (de Alma Welt)
(Versión al castellano de Lucia Welt)
Mañana no seré lo que he sido
Pero envuelta en aura, libertada
Yo seré la nueva Alma emplazada
En mi ser verdadero y alumbrado.
Farol en la noche de esperanza
O sol nel día claro y sienpiterno
El timbre he escogido: la abastanza
De mi misma, del bueno y del terno.
Pero si el Cerro se resfria y oscurece
Por las faldas ondeadas de "coxillas"
Del Jarau el minuano escurre y desce
Y del alma el lado oscuro me fascina
Al darme cuenta de cuanto, si, me anima,
Ese contraste que produce maravillas!
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(7)
Noite Xamânica (de Alma Welt)
Quando a noite é quente em meu jardim
Me ponho na varanda, excitada
E logo vou sair fora de mim
Para livre me sentir, e mesmo alada.
E vôo, ah! eu vôo sobre as flores
Pra de cima divisar o meu quiosque
Em que um dia iniciei-me nos amores
Pra depois consagrá-los no meu bosque
Onde então me torno loba ou cadela
Ssschhh!.. a grande coisa, um sábio disse*,
Exige que jamais falemos dela,
Pois me sinto voltar ao animal,
Enquanto vultos negros como piche,
Com seus lumes já me espreitam como tal...
29/06/2006
Nota
*"...um sábio disse"- Penso que Alma, parafraseando, se refere à famosa frase de Nietzsche: "As grandes coisas exigem que não se fale delas. A menos que falemos delas com grandeza. Com grandeza quer dizer: com cinismo e inocência".
Este soneto, de nítida inspiração xamânica, parece insinuar que Alma começa a noite como um pássaro (uma coruja?) e depois se transforma numa loba no cio (cadela), espreitada por uma alcatéia de vultos escuros mas de olhos luminosos. Alma se tranforma no seu "animal de poder". (vide Xamanismo).
(Lucia Welt)
Noche de Chamán (de Alma Welt)
(versión libre al castellano, de Lucia Welt)
Cuando es noche caliente en mi jardín
Me pongo en la baranda y excitada
A mirar la pampa y su negror sin fin
Para sentirme libre, leve y alada
Y vuelo, si, yo vuelo hasta las flores
Para el quiosco ver de arriba
En que un día me he quedado de amores
Que en el bosque he consumado, oh! mi amiga,
Adonde ahora me pongo sin candelas
(cosas hay, ha dicho el Gogh, buen profeta,
que no quieren que las pinten sobre telas)
Pues me siento tornarme al animal
Cercada ya por sombras y repleta
Con el lumen de su frío ojo fatal.
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Soneto XIII -Pastor já fui desse rebanho alado (de Paulo Bomfim)
Transcrevo aqui estes dois sonetos do grande poeta Paulo Bomfim (82) "príncipe dos poetas paulistas", por quem nutro grande admiração e que se tornou meu amigo quando me procurou querendo conhecer a Alma, por quem, por sua vez estava tomado de admiração desde que ganhou o livro Contos da Alma, de Alma Welt, que chegou às suas mãos através de seu filho, o excelente e famoso pintor Dudu Santos. Na ocasião, o ilustre poeta paulista declarou a mim, ao telefone, que aquele era "o mais belo livro que ele tinha lido nas últimas décadas", o que me deixou imensamente emocionada, e ao mesmo tempo triste por Alma não ter podido ouvir aquilo (revelei a ele que Alma falecera havia dois meses, o que muito o chocou).(Lucia Welt)
Soneto XIII
Pastor já fui desse rebanho alado
(de Paulo Bomfim)
Pastor já fui desse rebanho alado,
Que pelos céus caminha, pensativo,
A ruminar a grama azul do prado
E a desmanchar-se em pensamento vivo.
Pastor já fui de olhar perdido e calmo,
Guardando as reses pelo campo etéreo,
Entoei sobre a campina cada salmo
De um livro que perdi sobre o mistério.
Já fui pastor fora de certo espaço,
Das loucas dimensões em que me banho,
Não sei se é no futuro em que me abraço
Ou no passado desse meu rebanho!
Pastor já fui, hoje arrebanho a mágoa
Do meu rebanho a desfazer-se em água.
Paulo Bomfim
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Pastor he sido de este rebaño alado
(de Paulo Bomfim)
(versión al castellano de Lucia Welt)
Pastor he sido de este rebaño alado
Que en los cielos camina pensativo
A rumiar la hierba azul del prado
Y a deshacerse en pensamiento vivo
De mirada perdida, y sin embargo calmo
Guardando reses en el campo etéreo,
Canté sobre las praderas cada salmo
De un libro que he perdido, del misterio.
He sido ya pastor de aquél espacio
En las locas dimensiones que me baño,
No sé si él en el futuro en que me abrazo
O en el pasado de este mi rebaño!
Pastor ahora triste me pongo a rebañar
Mi rebaño de agua a deshacerse en mar.
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Soneto I
Venho de longe, trago o pensamento
(de Paulo Bomfim)
Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonia.
Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.
Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.
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Vengo desde lejos y traigo el pensamiento...
(de Paulo Bomfim)
(versión al castellano de Lucia Welt)
Vengo de lejos y traigo el pensamiento
Bañado en sales marineros de poesía
Arrastro velas rotas por el viento
Y en los mástiles llenos de agonía.
Provengo de eses mares olvidados
En las rotas ha mucho abandonadas
Y traigo en las retinas ahogados
Los puertos de misterio sin llegadas
Retengo adentro el alma y en la quilla
Todo el mar de sargazos y de voces
Que oigo al mirar aquella isla
Donde sueñan morir los albatroses…
Y a contornear al acaso, como un sismo,
De las tormentas el cabo de mi mismo
Paulo Bomfim
* do livro Transfiguração
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Reencontrando o general (de Alma Welt)
Acabo de encontrar este misterioso soneto da Alma na montanha de seus textos em sua arca do sótão. Alma parece querer dizer que, rencontrando o atual descendente direto do general Netto da Revolução Farroupilha, morto misteriosamente na Argentina
(em Corrientes) aqui indicada pela expressão "el Plata", este (por ser uma reencarnação do seu tetravô?) a reconhece como seu último grande amor (Maria Escayola) e a chama de seu "Graal", expressando a grandeza de sua procura romântica. (Lucia Welt)
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(6)
Reencontrando o general (de Alma Welt)
Amarrei minha montaria no mourão
Adentrando então a estância estranha.
No peito eu sentia o coração
Pulsando como os palpos de uma aranha
Que aguardasse a si mesma como presa
No centro de uma teia que era o mundo.
E assim eu caminhava muito tesa,
A sentir que o momento era profundo.
Então me vi diante da varanda
Do herdeiro de meu Netto general,
Que tirou o chapéu, como se manda
E mostrando os cabelos cor de nata
Disse: "Voltaste, minha princesa, meu Graal,
Que te espero, há muito, desde el Plata."
(sem data)
Reencuentro con el general (de Alma Welt)
(Versión al castellano de Lucia Welt)
Amarré mi caballo en un montón
Delante la hacienda extraña
En el pecho yo sentía el corazón
A pulsar como palpos de una araña
Que aguardáse a si misma como presa
En el centro de una tela que era el mundo
Y todavía caminaba así muy tesa
Por sentir que el momento era profundo
Y fué cuando me ví en la baranda
Del Netto, el general o su heredero
Que se sacó de pronto el sombrero
Y ostentando el pelo color de nata
Ha dicho: tornaste, mi princesa blanda,
Que te espero, hay mucho, desde el Plata.
(sin data)
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(5)
Palavras ao Vati (de Alma Welt)
Encontrei hoje este sugestivo soneto da Alma, que esclarece a complexa relação de minha irmã com o Vati (papai), com Rôdo, nosso irmão, e com a Mutti, nossa mãe, a "Açoriana", como Alma dizia mais comumente. (Lucia Welt)
Palavras ao Vati (de Alma Welt)
Dá-me teu colo, Vati, estou carente,
A Açoriana acaba de afastar-me.
Eu sei, ela me acha delinqüente,
Somente tu, ó Vati, sabe amar-me.
Ela diz que me espevito ao ver "um macho",
Tu ou Rôdo, dia e noite, e sem que
Jamais, ela diz, "sossegue o facho"
Mesmo servida a minha quota de rebenque.
Mas, pai, foste tu que me criaste
E me disseste pra ser sempre verdadeira,
Que minha pele já propunha esse contraste
Com, do falso a escura face, escondida,
E que jamais porias na coleira
O ser que iluminou a tua vida!
06/11/2006
Palabras al Vati (de Alma Welt)
(Versión al castellano de Lucia Welt)
Dáme tu cuelo, Vati, estoy carente,
La Azorana acaba de alejarme.
Yo lo sé que me reputan delincuente,
Y solamiente tú sabes amarme.
"Ay! que no puedes ver macho, desde luego,
Tu Vati o el Rodo, dia y noche, sin que
Desdichadamente te despierte el fuego"
Y me sirve mi cuota de rebenque...
Pero, mi padre, ha sido tú que me criaste
Y me alertado a ser siempre verdadera
Y que mi piel propugna este contraste
Con la oscura cara del falseo, escondida,
Y que jamás quisieras ver en la collera
El ser que siempre ha alumbrado tu vida.
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(4)
A leitoinha (de Alma Welt)
Galdério, prepara a tua charrete
Que hoje não quero cavalgar!
Leva-me como quando eu tinha sete
E dormia no teu colo ao regressar
E me tomavas nos braços com candor
Ao salão me transportando sem eu ver,
Me punhas sobre a mesa por humor,
Dizendo: “Hoje leitoinha vamos ter!”
E eu já despertada mas fingindo
Não resistia e gargalhava afinal
Sem ousar abrir os olhos, sensual,
Pois sentia o teu olhar tão inocente
Percorrer meu pequeno corpo lindo
Que queria ser tomado docemente...
09/07/2006
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Fiquei estarrecida ao descobrir hoje este soneto na arca da Alma. Senti-me primeiramente perplexa, depois chorei muito.
Ficou claro para mim, de repente, o gesto insólito, aparentemente incompreensível de Galdério ao pegar o corpo nu da Alma, quando de sua morte afogada no poço da cascata, e vir com ele nos braços como um sonâmbulo para depositá-la sobre a mesa do salão onde começou o seu espantoso velório nu, até ser interrompido pela irupção indignada de Matilde cobrindo-a com uma toalha de mesa, como um sudário.
Vide o blog "Vida e Obra de Alma Welt":(www.almawelt.blogspot.com) onde publiquei, já há tempos, a carta que escrevi na ocasião fatídica, narrando as circunstâncias da morte e do velório de minha amada irmã. (Lucia Welt)
La lechona (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt)
Galderio, en el carro "andiamo via"
Pues que hoy no quiero cabalgar!
Recuerdas cuando siete yo tenia
Y dormía en tu cuello, al retornar?
Y me tomabas en tus brazos con candor
Al salón me portando a nueva escena
Y al ponerme en la mesa con humor:
“Hoy habremos lechón para la cena.”
Y yo, ya despertada y disfrazando
No podría contenerme carcajada
Sin osar abrirme el ojo y encantada
Pues que sentía tu mirada inocente
En mi cuerpito tan bonito y ya amando
Que quisiera ser tomado allí, caliente.
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(No tesouro inesgotável da arca da Alma, acabo de encontrar mais estes dois sonetos inéditos, desconhecidos até então por mim, que logo os coloquei lá no blog dos Gauchescos da Alma, mas que quero destacar aqui, por notáveis que me pareceram.(Lucia Welt)
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(3)
Pietà sulina (de Alma Welt)
Vinha o gaúcho troncho em sua sela
Ferido por adaga gravemente,
Na mão direita a rédea como vela,
A outra mão a segurar o rubro ventre.
E estacando o seu pingo emfim cedeu,
Fez um aceno vago e foi caindo
Nos braços do Galdério que acorreu
A ampará-lo como a um guri dormindo.
E enquanto a alma ia sem adeus
Eu gravei a cena em minha retina
Como uma Pietà leda e sulina
Pois agora já estava entre os seus
Como o outro na estação divina
Fixando a morte insólita de um deus.
(sem data)
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Pietá del Sur (de Alma Welt)
(Versión libre al castellano de Lucia Welt)
Venia el gaucho curvo en su silla
Herido por espada y ya exangüe
Y en la mano derecha la cedilla
De la rienda rubra de su sangre
Y estacando su caballo me miró,
Ha hecho un gesto vago y se cayó
En los brazos del Galderio decidido
Que lo amparó como a un niño dormido
Y al ver el alma fuera de su campa
Yo gravé la escena en mi retina
Como una pietá honda y canina
Pues ahora ya estaba entre los suyos
Como aquél otro de la trágica estampa
A fijar la muerte insólita de un dios.
(sin data)
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(2)
Conluios da Noite (de Alma Welt)
Elevam-se na noite os murmúrios
Das conspirações que aqui houveram
Nos tempos farroupilhas, e os conluios
Que nos ecos desta casa ainda prosperam.
E ouço: Canabarro se rebela
Contra Bento nosso grande comandante
Enquanto o bravo Netto se revela
O mais fiel amigo doravante.
Mas bah! são as prendas que os inspiram
Com seu doce pranto derradeiro
Na paixão ardente em que deliram,
Juntas, pelos quartos, e ao fogão
Cujas cinzas liberam um rico cheiro
Que, alta noite, invade o casarão...
02/10/2006
Conjuras en la noche (de Alma Welt)
(versión al castellano de Lucia Welt)
Suben en la noche los susurros
De las conjuras que acá hubieron
En los tiempos farroupillas y los turros
Que en esta casa se murieron
Y oigo: Canabarro se rebela
Contra Bento el nuestro comandante
En cuanto el bravo Netto se revela
Un amigo fiel, más adelante.
Pero son las “prendas” que los inspiran
Con su llanto verdadero y los de broma
En la pasión ardiente en que deliran
Juntas en los cuartos y al fogón
Cuyas cenizas aún liberan rico aroma
Que de noche invade el caserón.
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(1)
Meu overmundo (de Alma Welt)
Alma a vagar na pradaria- óleo s/ tela de 50x60cm, de Guilheme de Faria (da fase romântica do artista)
(Surpreendentemente, encontrei hoje de manhã este soneto inédito da Alma, em sua arca, que evidencia que ela conhecia o poema de Murilo Mendes, e que este a inspirou de maneira singular. Mas pode-se perceber também a semelhança da cena por ela descrita com um outro texto, um belíssimo monólogo de Cathy Earnshaw (ou Cathy Lindon), do romance O Morro dos Ventos Uivantes( Wuthering Heights) de Emily Brönte, que Alma amava sobretudo, por sua imensa identificação com a personagem da charneca inglesa vitoriana). (Lucia Welt)
Meu overmundo (de Alma Welt)
Tive um sonho esta noite, recorrente,
Pois me pareceu bem familiar:
Eu morria jovem, de repente,
E não podia decidir quando voltar.
Antes me era dado ver o mundo,
Mas sem escolher hora e lugar
E teria assim meu overmundo
Pois que Deus me queria premiar.
Mas, bah! eu chorava de saudade
Do meu pampa, estância e casarão,
Minha querência, Rôdo, nossa herdade!
E tanto solucei, e o pé batia,
Que Deus não suportando a confusão
De cabeça me atirou na pradaria!...
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4/11/2006
Mi overmundo (de Alma Welt)
Tuvo un sueño esta noche, recurrente
Pues me pareció muy familiar:
Yo moría joven, de repente,
Y no podría decidir cuando tornar
Antes me era dado ver el mundo
Aunque sin escoger hora y lugar,
Yo tenería así mi "overmundo"
Pues que Dios me quería premiar.
Pero yo lloraba en nostalgia
De mi Pampa, hacienda y caserón
Nuestra herencia, Rodo, lo que habría!
Y tanto he sollozado y el pie batía
Que Dios, que no es ningún cabrón,
Me lanzando en la pradera se reía.
sábado, 16 de agosto de 2008
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